14 de janeiro de 2017

INVASÃO ZUMBI


NOTA: 9,5

Os zumbis dominaram a cultura pop atual, seja com a série The Walking Dead e sua derivada, Fear The Walking Dead, e filmes como Guerra Mundial Z, REC, Resident Evil, Madrugada dos Mortos. E eles não se limitaram só no terror, mas em comédias como Zumbilândia, e até "romance" em Meu Namorado É Um Zumbi. Os americanos são os que mais fazem "filmes zumbis e, como sempre, tem um monte que são ruins, e tudo acaba se tornando chato. Mas uma luz no fim do túnel surgiu, e um filme sul-coreano de zumbis fez o maior sucesso no país, recebendo elogios também pelo mundo todo: Invasão Zumbi (Train To Busan, 2016). Dirigido por Sang-Ho Yeon, Busanhaeng (título original em coreano) é muito mais do que uma história sobre uma invasão zumbi, problema que acaba ficando em segundo plano, e no meio da violência e sangue, típicos de filmes zumbis, o longa ainda faz uma reflexão das atitudes dos personagens. No elenco estão Gong-Yo, Yumi Jung, Dong-Seok Ma, Choi Woo-Shik e Eui-Sug Kim, todos atores famosos na Coréia. 

Sok-Woo (Gong Yo) está viajando de trem com sua filha para leva-la a sua mãe, que mora em Busan. Durante a viagem, uma epidemia zumbi acontece em toda a Coreia, e uma pessoa infectada entra a bordo do trem, que acaba infectando grande parte das pessoas. Os que se salvaram, terão que tentar sobreviver com as centenas de zumbis que estão dentro do trem, até chegarem na cidade de Busan, uma das cidades que está livre da infecção. 

Train to Busan é um dos melhores filmes de zumbis já produzidos. É repleto de suspense, tensão ao extremo, além de ser emocionante e, se você é bem sensível, poderá até chorar com o desfecho da história. O filme se passa praticamente todo em um trem, com um ritmo que cresce a todo instante, repleto de ação, onde o espectador fica com raiva, triste, preocupado, nervoso, assim como os personagens, e acontece tanta coisa que você vai desejar que o filme acabe logo, não porque é ruim, mas porque você se preocupa ao extremo com os personagens, e isso é brilhante, e raro no cinema de terror americano. O roteiro é muito interessante porque ele não foca só com os zumbis, e sim com o drama dos personagens, onde vamos conhecendo cada um deles, a sua história, o suficiente para que o espectador fique na expectativa do que pode acontecer com eles. A produção cria um conflito entre os personagens: temos o pai que não da atenção a filha, as irmãs inseparáveis, a mulher grávida, amor adolescente, e aqueles que só pensam em si mesmos; além de tocar em assuntos como dinheiro, poder, amor ao próximo e ajudar os outros em situações de perigo, e faz críticas sociais e políticas. Tudo isso com os zumbis atacando o trem, com direito a muito sangue, carnificina e violência. Destaco também os efeitos especiais e a maquiagem, que não deixam a desejar e são tão bons quanto os de Hollywood. 



Trem Para Busan (tradução livre do título original, já que o destino do trem é a cidade de Busan) é um filme repleto de clichês do gênero, e assim como Invocação do Mal usou eles a seu favor, o filme faz um bom uso disso. Frases de efeito, câmera lenta nas cenas mais dramáticas e tensas, grupos se separando e se perdendo no caminho, o personagem ruim, enfim, um prato cheio de diversão e emoção. Assim como REC se passou dentro de um prédio, a ação de Invasão Zumbi se passa dentro de um trem (salvo no início e em algumas cenas nas estações de trem), e a tensão é enorme: imagina um trem infestado de zumbis e você la dentro. O diretor usa todos os espaços do trem nos mínimos detalhes, e deixa o espectador ainda mais nervoso, criando alternativas para os personagens escaparem dos zumbis nos vagões, com cenas de tirar o fôlego. Prepare-se para ficar bastante nervoso com tudo o que vai acontecer. 


Invasão Zumbi acaba da melhor forma (apesar de tudo o que aconteceu), deixando o público imaginar o que poderá acontecer com os personagens, sem mostrar uma solução e sem dar muita explicação do que aconteceu. Isso é brilhante, porque quanto menos a gente souber, mais misterioso fica, e mais interessante também. E quando o filme realmente acaba, podemos respirar aliviados, enxugar as nossas lágrimas, e comentar sobre esse eletrizante e emocionante filme zumbi sul-coreano. E sério, você vai desejar que o filme acabe o mais rápido possível, porque acontece tanta desgraça nesse filme. E tem mais: o roteiro não dá trégua para os personagens, ou seja, muitas mortes vem por ai, e provavelmente daqueles que você pode acabar gostando. Não deixe de assistir Invasão Zumbi por não ser um filme americano, ou pelo título sem muita criatividade, é igualmente ótimo a qualquer filme do gênero, talvez até melhor, é tenso, emocionante, triste, tenso de novo, com um ritmo eletrizante e empolgante que fará você se contorcer e torcer junto com os personagens. Prepare seus nervos, pegue um calmante, lenços, e venha assistir o que provavelmente seja o melhor filme zumbi já produzido. Será que teremos um refilmagem americana, ou continuação? Infelizmente, a segunda opção já está confirmada. 















11 de janeiro de 2017

O SONO DA MORTE


NOTA: 9,0

Raramente surge algum filme de terror bom, não só pelos sustos, sangue e violência, como a maioria das pessoas preferem, mas sim com uma história muito boa e interessante. Corrente do Mal, Sobrenatural, O Homem Nas Trevas, Invocação do Mal, são alguns exemplos mais recentes. Uma boa história de suspense pode assustar muito mais do que um filme com violência e repleto de clichês e sustos fáceis. O novo filme do diretor Mike Flanagan, de O Espelho (2013), Hush - A Morte Ouve (2016), e do inédito Ouija - A Origem do Mal, nos apresenta um dos filmes de terror mais originais e interessantes dos últimos anos: O Sono da Morte (Before I Awake, 2016). Estrelado por Kate Bosworth (Superman - O Retorno), Thomas Jane (O Nevoeiro) e Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), O Sono da Morte está mais para suspense e drama do que terror, mas rende alguns sustos, e, principalmente, tem uma história que é muito mais do que uma história de terror.

Jessie (Kate) e Mark (Thomas) decidem adotar uma criança, Cody (Jacob), após a perda de seu filho Sean. Tudo estava indo bem, até que eles descobrem que Cody tem um dom especial: seus sonhos se tornam realidade. O problema é que o garoto é atormentado em seus sonhos por uma criatura chamada o "homem cranco", que ataca as pessoas que estão com Cody. Agora, Jessie e Mark tem que descobrir a verdade sobre esse belo e assustador dom do garoto antes que eles acabam sendo as próximas vítimas dos pesadelos de Cody. 


Só pelo fato da história não ser totalmente um filme de terror, mas também um suspense com toques de drama, O Sono da Morte já ganha pontos por isso. O roteiro é bem desenvolvido, sem explicar muito sobre a situação, só o suficiente para que o público entenda o que vai acontecer, onde só no final que tudo é mais explicado. O filme tem alguns sustos, situações interessantes e cenas assustadoras, principalmente quando aparece o "homem cranco", mas o foco não é isso. A história tem um drama, uma situação de superação, tanto do menino quanto do casal, além de ter um desfecho bem sentimental para um filme de terror; algo no estilo de O Orfanato e Mama. As cenas dos sonhos de Cody são lindas, e tudo é bem desenvolvido e cuidadoso nos detalhes, como se o garoto aprendesse algo novo e sonhasse. Repare na primeira aparição das borboletas, e depois nas outras. Ainda, O Sono da Morte tem toques de fantasia, o que deixa tudo ainda mais interessante, prendendo a sua atenção logo no início. O filme tem alguns clichês de filme de terror, mas se diferencia dos outros do gênero, nos entregando um filme tenso e intrigante.



Thomas Jane e Kate Bosworth entregam atuações medianas, e não conseguimos nos identificar com seus personagens, ou nos cativar tanto com a situação que eles estão passando, talvez pelo rumo que seus personagens ganham na trama. Enquanto Mark tenta dar um lar melhor para Cody, Jessie ainda está muito apegada ao seu filho, Sean, e não dá muita atenção ao seu novo herdeiro. E nem com esse problema conseguimos abraçar o drama que estão passando. Diferente acontece com Jacob Tremblay, que interpreta Cody: o garoto, que surpreendeu e emocionou plateias em O Quarto de Jack, está cativante e muito fofo, com um carisma enorme, e de cara se apegamos com o seu problema, nos fazendo torcer para que tudo de certo; da vontade até de adotar ele. O garoto de dez anos está bem melhor do que todos os adultos do filme. 

O Sono da Morte foi vendido como um filme de terror, mas é muito mais do que um simples filme de terror; talvez nem se encaixa nesse gênero. O longa tem uma carga dramática alta, além de ser bem sentimental em alguns pontos, com um desfecho emocionante e bem desenvolvido, é praticamente uma fábula sobre a superação de uma família. Tudo no filme é explicado, a situação de Cody, a origem do homem cranco (muito legal e interessante, aliás), mas o final fica em aberto, não para uma continuação, e sim para que o espectador tenha a sua visão de como será o futuro dos personagens. Se você procura um filme de terror com sustos e sangue, ou algo bobo tipo Annabelle, passe longe desse filme. Agora, se você gosta de um filme com um enredo original e interessante, com uma história de superação, O Sono da Morte é o filme certo para você. Assista e tire suas próprias conclusões. Vale muito a pena.  


















5 de janeiro de 2017

PASSAGEIROS


NOTA: 9,0

Quem não queria conhecer outros planetas, habitar outros planetas, fazer viagens interestelares? Ou pelo menos, quem não tem curiosidade nisso tudo? Os filmes de ficção nos proporcionam essa experiência há tempos no cinema, como o último filme desse gênero lançado, Interestelar. Agora, chegou a vez de outro longa nos contar uma história futurista de viagem interestelar: Passageiros (Passengers, 2016). Mas o novo filme do diretor indicado ao Oscar por O Jogo da Imitação, Morten Tyldum, não é apenas um filme de ficção, mas também um romance entre os personagens de dois atores do momento: Chris Pratt e Jennifer Lawrence. Misturando romance com ficção, bastante humor, lições morais e incríveis cenários futuristas, Passageiros diverte, empolga e faz uma bela reflexão sobre o futuro e nossas escolhas. No elenco ainda estão Michael Sheen e Laurence Fishburne

A nave interestelar Avalon, está levando 5.000 pessoas para colonizar um planeta chamado Homestead 2, em uma viagem de 120 anos. Durante a viagem, dois passageiros, Jim Preston (Chris Pratt)  e Aurora (Jennifer Lawrence) acordam mais cedo, 90 anos antes do previsto, por causa de uma pane na energia de suas capsulas de hibernação. Jim e Aurora acabam engatando um romance, e o que o parecia ser uma viagem dos sonhos, acaba se tornando uma luta contra a vida, já que a nave corre o risco de explodir, acabando com a vida deles e das outras 4.998 pessoas a bordo da nave. 

Passageiros é dividido em duas partes, que se juntam sem percebemos. A primeira, mostra o romance dos protagonistas, os únicos na nave que acordaram. O romance entre Jim e Aurora cai em alguns clichês básicos do romance, mas com um visual futurista, e acerta ao introduzir humor e situações engraçadas. A segunda parte é onde a ação entra em cena, e mostra os personagens tentando salvar a nave Avalon do seu trágico destino. Por se tratar de um romance, a primeira parte é mais devagar, com bastante conversas para apresentar os personagens, criando um vinculo com o espectador. Mas o visual compensa, e o filme consegue nos fazer entrar na história, com os belos cenários da nave, as tecnologias que todo mundo queria ter, e as imagens do espaço, que são maravilhosas e incríveis. Com certeza um ótimo trabalho de direção de arte. A ação, na segunda parte, não deixa a desejar, e cria um clima de tensão crescente ao mostrar o desespero dos personagens em salvar a nave; e claro, com um deles correndo risco de vida, o amor fala mais alto, e os dramas e preocupações surgem. O roteiro é muito interessante, faz o espectador querer entender tudo o que está acontecendo, e talvez tenha algumas situações previsíveis e clichês, mas o entretenimento é certo, e você nem repara muito nisso. Imagina: você está indo para outro planeta, é um sonho seu, e daí, você acorda 90 anos antes do previsto, sem poder hibernar novamente, sendo que, provavelmente, você já vai estar morto antes de chegar ao destino e não terá a chance de conhecer esse novo planeta. 


O filme tem um histórico que já vem de anos. A história já estava pronta, só faltava alguma produtora comprar o roteiro, e escolher os atores e o diretor. Keanu Reaves, Reese Witherspon e Rachel McAdams, receberam propostas para interpretar o casal principal do filme, mas todos desistiram, e o filme acabou ficando anos parado. Logo, a Sony Pictures comprou os direitos do filme, e escalou dois dos grandes atores da atualidade, Chris Pratt (Guardiões da Galáxia, Jurassic World) e Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes, O Lado Bom da Vida) para viverem um romance espacial. A química entre os dois é excelente e cativa o espectador, já que ambos são engraçados, e isso ajuda bastante a sustentar o roteiro, que conta com bastante humor. Até porque, praticamente o filme todo é somente eles que estão em cena. Jennifer Lawrence encanta em tela e mostra que tem talento suficiente para qualquer filme, com o seu humor natural nas cenas mais leves, e o drama nas cenas mais pesadas; Chris Pratt é divertido e engraçado na medida certa que o longa pede. Vale destacar a atuação de Michael Sheen, o robô Arthur, que é o "barman" da nave Avalon, que acaba se tornando o confidente do casal desafortunado. 



Passageiros ainda tem uma grande lição de moral, sobre as atitudes dos personagens ao lidar com os problemas, as suas consequências, e faz também uma reflexão sobre a vida, o medo da solidão, e sobre o futuro que a gente planejou mas que não deu certo. Ainda, Passageiros faz referência a outros filmes, como O Iluminado, Wall-E, Titanic ("se você morrer, eu morro"), e até ao clássico da Disney, A Bela Adormecida, e não é só por causa do nome da personagem de Lawrence. Passageiros é uma mistura de comédia romântica e ficção, que mesmo com os clichês básicos dos filmes de romance, o longa diverte, tem bastante humor, com um visual arrebatador e muito bonito, mas não emociona tanto quanto deveria. O final poderia ter sido um pouco diferente, um pouco mais dramático talvez, e foi um final bem interessante, mas previsível, e muito bom para se refletir. Apesar das críticas não tão boas, e da péssima bilheteria (custou U$ 110 milhões, e arrecadou até agora apenas U$ 70 milhões nos EUA), Passageiros tem tudo para ser um ótimo filme se você entrar na história e entender todo o drama que o casal passa. E só pelo visual da nave, as tecnologias e as cenas no espaço (em especial quando eles passam bem perto de uma estrela), o filme já vale o ingresso. Mas tenha em mente que se trata de um romance no espaço. 


















31 de dezembro de 2016

INFERNO


NOTA: 7,0

Lançado em 2006, O Código da Vinci foi um enorme sucesso de bilheteria e critica, impulsionado pelos fãs do livro no qual o filme adaptou para o cinema, escrito por Dan Brown. O ótimo diretor Ron Howard foi o responsável pelo filme, e o maravilhoso Tom Hanks interpreta o personagem principal, o professor Robert Langdon, no qual ambos retornaram para a adaptação de outro livro do autor, Anjos e Demônios. Além desses dois livros, Dan Brown escreveu outros quatro: Fortaleza Digital, Ponto de Impacto, O Simbolo Perdido e Inferno, e, obviamente, mais um desses seria adaptado para o cinema. Após um hiato de sete anos, foi decido que Inferno (Inferno, 2016) seria a próxima adaptação para o cinema. Os livros de Dan Brown são bons porque seguem a linha narrativa de investigação, assim como os filmes, com pistas e segredos: em O Código da Vinci, Robert Langdon investigava a linhagem de Jesus Cristo através de obras do pintor Leonardo Da Vinci, e em Anjos e Demônios, ele enfrentou Illuminattis para encontrar uma substância perigosa. Agora, em Inferno, o professor terá que lutar contra o tempo e procurar nas obras de O Inferno de Dante Alighieri e Sandro Botticelli, pistas sobre o paradeiro de um vírus que poderá matar mais da metade da população mundial. Sem o glamour dos filmes anteriores, e sem muitos elementos novos, Inferno consegue entreter o espectador, e acabou sendo subestimado demais. No elenco estão Tom Hanks, Felicity Jones, Omar Sy, Irrfan Khan e Sidse Babette Knudsen

O professor Robert Langdon (Tom Hanks), acorda em um hospital com perda de memória. Com a ajuda da médica Sienna Brooks (Felicity Jones), ele descobre estar com um cilindro, e percebe que estava numa missão importante. A policia internacional está atrás desse cilindro, e Langdon e Sienna tem que correr contra o tempo para descobrir a localização de um vírus poderoso capaz de matar mais da metade da população, antes que fanáticos consigam espalhar o vírus. 


Inferno segue a mesma linha narrativa das outras adaptações, sem muitas novidades, mas o roteiro prende a atenção, tem um ritmo frenético, empolga, e deixa o espectador curioso para saber o que vai acontecer. Talvez não da mesma forma como os outros filmes. Correria, perseguição, e mais correrias, o início de Inferno empolga, mas como nada muda muito durante a trama, o filme cansa, até quando chega na parte final, que da uma acelerada no ritmo, com muita confusão, causando uma certa tensão no espectador para que tudo de certo. O roteiro explica detalhadamente tudo o que acontece no filme, as pistas e o significado de cada obra. Isso não é ruim, pelo contrário, mas fica tudo muito mastigado para o espectador, e muitas vezes, não temos a chance de tentar decifrar os mistérios. A história é interessante, tem muitos mistérios, e tem até uma reviravolta inesperada que não tinha nos dois outros filmes, mas o que faltou aqui foi algum grupo religioso, ou não, por trás de toda a trama. Na verdade, existe um tal grupo em Inferno, mas sem grande destaque como em Anjos e Demônios e O Código da Vinci, e isso era um grande charme para a produção, e deixava tudo ainda mais interessante.

Se, por um lado, o enredo pode não empolgar a maioria, por outro, os belos cenários são um deslumbre para os olhos, e nesse quesito, se assemelha muito com O Código da Vinci. O professor Langdon, e sua companheira Sienna, passam por Florença, Veneza, Istambul, entram em belos museus e pontos turísticos das cidades investigando obras, onde são perseguidos pela policia internacional. Vale destacar também, a forma como o Ron Howard mostrou as visões de Langdon, com cenários pegando fogo, ondas de sangue, pessoas deformadas, tudo de acordo com a obra O Inferno de Dante. Ótimos efeitos especiais, um grande destaque que não tinha nos outros filmes. 



Comum nas obras de Dan Brown, o professor Langdon sempre está acompanhado de uma personagem feminina. Em O Código da Vinci, Sophie Neveau, interpretada pela atriz francesa Audrey Tatou, era a companheira de Langdon em sua jornada. Já em Anjos de Demônios, era Vittoria Vetra, interpretada pela atriz israelense Ayele Zurer. Agora, em Inferno, é a vez da atriz britânica Felicity Jones embarcar nas aventuras de Langdon. A sintonia entre Tom Hanks e Audrey Tatou, no primeiro filme, era ótima e convencia, diferente da com Felicity Jones. Ela tem uma atuação no automático, sem muita emoção, não cativa o espectador, e seus motivos não convencem ninguém, e a cara fechada dela não ajuda em nada. Hanks também não está tão a vontade como nos outros filmes, mas nada que prejudica a produção, afinal, ele é o professor Langdon. Os coadjuvantes também não ajudam muito, e nenhum tem carisma, ou algo parecido, para que o espectador se identifique. Uma pena, e mesmo não tendo um grande elenco, como nos outros, tem rostos bastantes conhecidos, como Ben Foster, Omar Sy (Jurassic World) e Irrfan Kahn (As Aventuras de Pi, Jurassic World).

A longa espera de sete anos pode ser um dos motivos do fracasso de Inferno, já que Dan Brown, e seus livros, não são mais tão famosos nos dias de hoje. E mesmo com vários defeitos, o filme não é ruim, tem mistério, investigação, assassinatos, perseguição, belos cenários, mas sem o glamour, a magia e a emoção que tinha em O Código da Vinci e Anjos e Demônios. É um filme que diverte, empolga, lança ótimas questões sobre a vida, mas não consegue desenvolve-las o suficiente para marcar o espectador. É apenas razoável. Originalmente, era para ter sido O Simbolo Perdido a próxima adaptação, mas o estúdio optou por Inferno. Será que foi um erro? Na literatura, as histórias de Dan Brown podem dar sempre certo, mas no cinema, talvez não tanto mais quanto antes. E qual será a próxima adaptação? Só existe mas um livro que o professor Robert Langdon aparece.