30 de julho de 2016

ESPECIAL | EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO


Nos anos 90, os filmes de terror, principalmente os "slasher movies", estavam chatos, entediantes e cheio de continuações de sucessos dos anos 80. Como eu disse no especial Premonição, o gênero não apresentava nada de novo, e as poucas novidades não conseguiam ganhar o público. Mas tudo isso mudou, em 1996, com o diretor Wes Craven e o seu clássico Pânico (Scream, 1996), que se tornou um sucesso de bilheteria e público, gerando mais três continuações. Foi a partir daí que os filmes de assassinos mascarados ganharam uma nova repaginada, com influência dos clássicos filmes das séries Halloween, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo. Com o lançamento de Pânico, e  todo o sucesso que fez, Hollywood viu o grande potencial que estava surgindo, e várias produtoras lançaram filmes no mesmo estilo que Pânico. De todos os filmes que surgiram, foi Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, 1997) que mais fez sucesso nessa "nova era do terror". Com um elenco praticamente desconhecido na época e que alavancaram a carreira após a estreia, muito suspense e personagens carismáticos, o sucesso foi tanto que o filme ganhou uma sequência no ano seguinte, Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Still Know What You Did Last Summer, 1998), e uma espécie de reboot anos depois, extremamente inferior que nem vale a pena mencionar aqui. 

Recentemente, foi anunciado um remake do primeiro filme, com previsão de lançamento para 2017, sem muitos detalhes sobre como vai ser. Com isso, vamos relembrar os dois filmes dessa franquia que marcou os anos 90 e toda uma geração, e se preparar a refilmagem. Esse especial é sobre os dois filmes da série. Tinha feito um especial parecido no meu antigo blog, mas apaguei o outro post e mantive esse. 




EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO 

Direção: Jim Gillespie
Elenco:  Jenniffer Love Hewitt, Freddie Prinze Jr., Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillippe, Bridget Wilson, Johnny Galecki, Anne Heche e Muse Watson.
Bilheteria: U$ 125 milhões

Em uma pequena cidade costeira, quatro adolescentes, Julie James (Jennifer), Hellen Shivers (Sarah), Ray Bronson (Freddie) e Barry Cox (Ryan) estão comemorando o último verão juntos quando eles atropelam um homem em uma estrada deserta. Com medo que descubram o que fizeram, os amigos decidem jogar o corpo no mar e assim tentar seguir com suas vidas. Um ano depois, ao retornarem à cidade, eles são ameaçados e atacados por um homem com uma capa preta de pescador e um gancho, que busca vingança pelo que eles fizeram no verão passado. 

Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado é baseado numa história homônima de Louis Duncan, escrita nos anos 70. Enquanto a obra puxa mais para o lado psicológico, o filme segue o estilo slasher. O diretor Jim Gillespie criou um clima de suspense e mistério tenso que prende a atenção do espectador durante o filme todo, e com a ajuda da ambientação, montagem eletrizante e uma história convincente, Eu Sei... é um dos melhores filmes do gênero. Muitos reclamam que as mortes demoram para acontecer, mas o filme precisa criar um mistério para dar certo. Primeiro, são apenas ameaças e cenas de suspense de deixar o espectador ainda mais tenso (alguém sabe do crime que você cometeu, e o assassino brinca com a situação), e mais tarde, começam as memoráveis mortes e perseguições, igualmente boas aos clássicos filmes do gênero. A medida que os personagens vão investigando o mistério e tentando descobrir quem é o homem misterioso que os persegue, o enredo fica melhor, com direito a ótimas reviravoltas. Quem é o homem que está buscando vingança? É o próprio cara que foi atropelado, mas que sobreviveu? É algum parente, ou amigo, que quer se vingar? Essa ideia de investigarem sobre o passado do personagem é um dos maiores acertos do roteiro, atiçando a nossa curiosidade em saber sobre toda a verdade que ronda esse mistério. 



Em todos os "slasher movies", as mortes e as cenas de perseguição são as mais esperadas pelo público, e Eu Sei... tem algumas das melhores e bem elaboradas já feitas. A melhor é a cena de perseguição da personagem Helen Shivers, interpretada pela maravilhosa Sarah Michelle Gellar. A cena de perseguição dela é a melhor e a que mais tempo dura, quase dez minutos de correria e pura tensão. Será que ela sobrevive? Se você espera banhos de sangue, violência e exageros, Eu Sei.. poderá te decepcionar. Ao invés disso, o filme foca mais no suspense e mistério, uma decisão certa, mostrando que o principal do filme é a história e não as cenas de mortes, caso contrário dos filmes de terror atuais, e da sua continuação.

Já disse em outras críticas no blog que, em filmes de terror, os personagens tem que cativar o público para que fiquemos "tristes", ou "chocados" quando eles morrem. Em Eu Sei... todos os principais se saem muito bem e conseguem convencer o público. Sarah Michelle Gellar, Freddie Prinze Jr, Jennifer Love Hewitt e Ryan Phillip, já tinham um certo reconhecimento no cinema, mas foi com o sucesso do filme que suas carreiras decolaram. Na história, são apresentados os seus dramas, muito comuns na época, o fim do colégio e início da faculdade, além de se  mudarem para cidades grandes em busca de uma profissão. Isso acontece hoje em dia, mas em 1997, não existia Facebook, WhatsApp e outras redes sociais que facilitaria a comunicação entre eles. Ainda, tem os problemas de relacionamentos arruinadas em situações desesperadoras, como atropelar um homem e jogá-lo no mar. Os personagens não são exagerados, se mostram apreensivos com a situação e eles têm um carisma que deixa o filme ainda melhor e tenso quando algo acontece com eles. E o fato de serem melhores amigos, e dois casais de namorados, ajuda o público a se identificar com os personagens, já que eles poderiam ser qualquer um de nós. 




Sarah Michele Gellar e Jennifer Love Hewitt, que interpretam Helen Shivers e Julie James, respectivamente, são melhores amigas e as "scream queens" do filme. Sério, parece uma competição de quem grita mais forte. A amizade entre elas não é mostrado profundamente, mas é o suficiente para o público torcer pelas personagens. Jennifer já fazia sucesso na série O Quinteto, atuando com Neve Campbell (dos filmes Pânico; interessante, não?), mas depois do filme, o sucesso veio logo, atuando em algumas comédias românticas, como Doce Trapassa, arriscando na música (uma de suas músicas está na trilha sonora da continuação), e na série The Client List, na qual foi indicada ao Globo de Ouro. Sarah fez mais sucesso após Eu Sei..., com o filme Segundas Intenções (que atuou novamente com seu parceiro de filme Ryan Phillipe), interpretou Daphne na adaptação em "live action" de Scooby-Doo, e também nos filmes O Grito 1 e 2.  Mas foi em Buffy - A Caça Vampiras o seu maior sucesso da carreira. Sarah está casada até hoje com o seu colega de elenco Freddie Prinze Jr: eles se conheceram  nas filmagens de Eu Sei..., mas assumiram namoro somente em 2000.

Ryan Phillipe é Bryan Cox, o esquentadinho namorado de Sarah. Seu personagem é um playboy chato e arrogante que cria uma antipatia com o público, mas ao mesmo tempo ele chama atenção, mudando a nossa opinião. Ryan não fez tanto sucesso, mas tem filmes memoráveis em sua carreira, como Segundas Intenções e Assassinato em Gosford Park, e na série de TV Damages. Do elenco masculino, Freddiie Prinze Jr e seu Ray é o que mais se destaca. Sua personalidade é oposta a de Barry, é mais sensível, e se importa mais com a situação, e com sua namorada Julie, cativando ainda mais o público e nos fazendo torcer pelo casal. Freddie já tinha feito sua estreia nos cinemas com o filme Para Gillian No Seu Aniversário,  mas foi com Eu Sei... que sua carreira deu uma guinada. Depois, ele atuou em algumas comédias românticas, como Ela é Demais, no qual foi indicado ao MTV Movie Awards, Amor ou Amizade, Louco por Você, e na adaptação em "live action" de Scooby-Doo, ao lado de sua atual esposa Sarah Michele Gellar. Ainda no elenco, estão Anne Heche, como a irmã do cara que o quarteto atropela, e Johnny Galecki, como o rapaz apaixonado pela mocinha Julie James. Ele é atualmente conhecido por interpretar Leonard Hofsladter na premiada série The Big Bang Theory. 



Ano que vem, em 2017, Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado completará 20 anos de lançamento, e mesmo com todo esse tempo, o filme é muito melhor do que os de terror da atualidade, que focam em mutilações, banhos de sangue, violência extrema e sem aprofundamento nos personagens e nas histórias clichês. Eu Sei... vai contra esses elementos, e nos apresenta um enredo cheio de suspense e mistério que prende a atenção, e com uma história original surpreendente. Pode não ser inovador como Pânico foi, e ter alguns clichês básicos, mas empolga, diverte e assusta. Eu Sei... é um filme que todos deveriam assistir. Sim, se você esperava uma continuação, fique feliz, ou não, que um ano depois seria lançado Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, que mesmo sendo bem inferior que o primeiro, ainda diverte e é essencial para o gênero. 


SOBRE O FINAL DE EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM  NO VERÃO PASSADO

ATENÇÃO, SPOILER!! A revelação final pode deixar o espectador um pouco confuso, já que o filme não explica exatamente sobre quem é a vítima atropelada no início. O cara sentado no penhasco no inicio do filme é David Egan que, um ano atrás, havia sofrido um acidente de carro com sua namorada Susie Willis, onde ela acabou morrendo. O pai de Susie, Ben Willis, empurrou David no penhasco para vingar a morte de sua filha, fazendo parecer que a morte dele foi um acidente. Por coincidência, na mesma hora e no mesmo lugar, os quatro amigos Barry, Helen, Julie e Ray, estavam voltando para casa quando atropelam um homem, e jogam o corpo no mar. Inicialmente, eles achavam que era David Egan, já que apareceu no jornal local que o corpo dele foi encontrado. Mas através de Missy Egan (Anne Heche), irmã de David, Julie descobre que não era David que haviam atropelado, e na cena final foi revelado que era, na verdade, Ben Willis, sogro de David, que era o assassino que perseguia os personagens. Quando os amigos jogam o corpo no mar, Barry mergulha para pegar a coroa de Hellen, e o corpo abre os olhos, mostrando que ele ainda estava vivo quando fizeram isso. 

TRAILER 



ABERTURA DO FILME 



MUSICA DE ABERTURA DO FILME















EU AINDA SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

Direção: Danny Cannon
Elenco: Jennifer Love Hewitt, Freddie Prinze Jr, Brandy, Mekhi Phifer, Matthew Settle, Muse Watson e Jack Black
Bilheteria: U$ 84 miilhões


(Cara do rádio)- Você quer ganhar a nossa viagem?
(Carla) - Sim, quero!
(Cara do rádio) - Então, a pergunta é de geografia. Qual a capital do Brasil? 
(Carla) - Rio de Janeiro.

(?????????)


Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado foi um enorme sucesso de bilheteria e conquistou seu público, garantindo assim uma sequência, e um ano depois, em 1998, foi lançado Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Still Know What You Did Last Summer). Impulsionado pelo sucesso do primeiro filme, e entrando na onda de sequências, já que o maior sucesso do gênero na época, Pânico, também teve uma continuação, Eu Ainda Sei... foi feito às pressas, sem o roteiro de Kevin Williamson, resultando em um filme muito inferior ao original, além de ter recebido várias críticas negativas e ter feito menos sucesso que o original, com um orçamento maior. O filme tem sim os seus erros e exageros, mas ainda diverte, assusta (não tanto), e tem um "gancho" ótimo com o primeiro filme. 

Um ano após os eventos do primeiro filme, Julie James (Jennifer Love Hewitt) está passando por  momentos difíceis: ainda se sente assombrada pelo pescador assassino Ben Willis (Muse Watson), está indo mal na faculdade e seu relacionamento com Ray (Freddie Prinze Jr) está cada vez pior por causa disso e pela distância. Sua nova melhor amiga, Carla (Brandy), ganha uma promoção de uma rádio local para um final de semana em Bahamas. Carla chama seu namorado Tyrell (Mekhi Phifer), e Julie convida Ray para ir junto, mas ele acaba não indo, e no seu lugar vai Will Benson (Matthew Settle), que é apaixonado por Julie. Ao chegar em Bahamas, eles descobrem que uma forte tempestade vai chegar no lugar, por ser baixa estação, e sozinhos na ilha, Julie volta a ser atormentada pelo pescador, e descobre que ele está na ilha, querendo continuar sua vingança. 



Eu Ainda Sei... é tudo o que uma sequência não deveria ser: exagerado, histérico e sangrento. Kevin Williamson tinha roteirizado o primeiro filme, e fez um ótimo exemplar do gênero, com bastante suspense, mistério, uma história interessante e um ótimo desenvolvimento dos personagens, mas abandonou o barco e entrou outro no cargo, Tray Callaway. O novo roteirista fez uma bagunça na história, com um enredo cheio de clichês e furos, alguns explicados, deixando tudo menos interessante e sem lógica. O roteiro foca mais nos gritos exagerados e desesperados, nas mortes, sangue, e violência, além dos sustos fáceis e repetitivos, deixando de lado o desenvolvimento dos personagens. Sua história é mais complexa e tem mais revelações sobre o passado do pescador, tornando tudo mais interessante do que parecia ser. Por que levar toda a história e os assassinatos para uma ilha em Bahamas? Pelo menos, tem bastante humor, ótimas piadas, e um personagem engraçado. 

A primeira parte, que mostra os medos de Julie com os eventos do primeiro filme, tem situações desnecessárias e que estragam o clima, servindo apenas para iniciar um suspense, dar sustos, e risadas. A trama fica mais interessante quando os personagens vão para a ilha, e o local da matança é apresentado. Por ser baixa temporada no local, toda a ilha fica deserta, e quando as fortes tempestades chegam, o clima assustador começa, e assim, as correrias, matanças e histerias dão inicio. O filme consegue criar um bom suspense com a ambientação, com o fato das tempestades, e quando as mortes começam, mas as situações tensas dão lugar à desesperos e cenas engraçadas, estragando grande parte do suspense. Pelo menos, Eu Ainda Sei... tem os melhores elementos de terror: correria, matança, sangue, corpos ensanguentados, gritos histéricos (no filme tem demais, e são exagerados). É ótimo isso até, só que no filme, isso acaba sendo engraçado, nos fazendo rir de algumas situações. 



Um dos maiores problemas de Eu Ainda Sei... são os personagens que não conseguem cativar o público, situação bem diferente do primeiro filme. Jennifer Love Hewitt e Freddie Prinze Jr retornam aos papéis de Julie e Ray, respectivamente, mas sem o carisma e a simpatia de antes. Julie está mais histérica do que nunca, e toda a determinação que tinha acabou, e Ray, um dos melhores personagens da franquia, é deixado de lado em grande parte do filme, mas ainda tem um papel importante. As novas adições no elenco tem alguns rostos conhecidos atualmente. Dos personagens principais, tem a melhor amiga de Julie, Carla (a premiada cantora e não tão conhecida pelos brasileiros, Brandy), que tem um grande carisma, mas não é tão boa na atuação, e fica bem claro que os produtores a chamaram para atrair mais público (os fãs dela) nos cinemas. Mekhi Phifer, que interpreta Tyrell, o namorado de Carla, é o mais chato do filme, que só pensa em sexo e irrita todo mundo. Anos depois, ele estrelaria a premiada e extinta série E.R. E no lugar de Ray, entra Mathew Settle e seu Wiil Benson, o cara apaixonado por Julie, carismático, romântico e com "boas intenções", daqueles que você apresenta a sua família. 

Dos coadjuvantes temos alguns alguns que já eram veteranos nos cinemas, e um deles estava a recém ficando famoso, e todos trabalham no hotel onde os quatro amigos ficam. Eles servem apenas para aumentar o número de mortes. Jeffrey Combs, o recepcionista do hotel, já era famoso por atuar em filmes de terror, Re-Animator, A Casa da Colina, Os Espíritos, além interpretar personagens de obras escritas pelo famoso H.P. Lovercfrat. Jennifer Esposito, a "bargirl" Nancy é uma das que mais se destaca entre os coadjuvantes, com seu humor afiado e toques de feminismo. Alguns dos filmes mais famosos dela são Taxi e Crash - No Limite, além da série Samantha Who? Tem ainda Jack Black, o maconheiro Tittus, em uma atuação extremamente engraçada. Ele já tinha feito outros filmes, como Waterworld, Arquivo X, e ainda estava no início de sua carreira. Seu sucesso viria mais tarde, com Alta Fidelidade, Trovão Tropical, O Amor Não Tira Férias e Escola de Rock. E por fim, o veterano Bill Cobbs, o misterioso camareiro macumbeiro do hotel, que apareceu em O Guarda-Costa e Uma Noite No Museu. 



Julie e Carla ganham a viagem para Bahamas ao responderem uma pergunta de geografia: qual a capital do Brasil? Elas respondem Rio de Janeiro. Todo brasileiro e brasileira sabe que a capital do Brasil é Brasília, e não Rio, e muitos americanos não sabem disso, o que não faz tanta diferença para eles. Mas como elas ganharam a viagem se a resposta estava errada? Para nós, fica muito óbvio que alguma treta tem, já os americanos não iam perceber isso. Tem um motivo porque elas ganharam a viagem, mesmo com a resposta errada, é certo que alguma coisa ia acontecer na viagem. 

Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado tem seus erros, seus exageros e absurdos, mas ainda é um ótimo divertimento, e no fim, é mais satisfatório do que parece ser. O fato da continuação se passar em uma ilha em Bahamas, parece ser algo ridículo e sem sentindo no inicio, mas no final, quando surge uma revelação, tudo fica bem mais interessante até. E tem também um segredo de um dos personagens que tem ligação com a revelação final. Eu Ainda Sei... peca por focar mais nas mortes e nos sangues, e esquece de criar um enredo bom e no desenvolvimento dos personagens, além de tudo parecer exagerado e histérico demais. São tantos gritos escandalosos que da para ouvir até o eco deles. E a última cena, deixa um gancho para uma sequencia, chamada de Eu Sempre Saberei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado, lançada em 2006, que é um desastre total e absurdo ao extremo. Não sei como tiveram coragem de fazer isso. Resta esperar agora a refilmagem e torcer para que seja tão boa quanto o primeiro filme. 





SOBRE A REVELAÇÃO DE EU AINDA SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

ATENÇÃO: SPOILERS O filme tem duas revelações importantes. Julie e Carla ganharam uma viagem para Bahamas, que mais tarde, descobrem que era tudo armação de Ben Willis, o pescador assassino (por isso que elas ganharam a viagem mesmo dizendo a resposta errada). Ben trabalhou no hotel Tower Bay, onde os personagens se hospedaram, e matou sua esposa porque ela o traia. Ele tem dois filhos, uma menina chamada Susan (a do acidente com o David Egan, no primeiro filme), e um menino. A outra revelação é sobre o outro filho de Ben Willis: o amigo romântico e apaixonado por Julie, Will Benson (Mathew Settle), é o outro filho de Ben Willis, por isso o nome dele, Will (de Willis), e "Ben Son" (que traduzindo seria "filho de Ben"). Toda essa revelação foi realmente bem interessante, e a ligação com o primeiro filme é ótima, mas levar essa história para uma ilha em Bahamas, é estranho. Se a história se passasse na cidade natal de Julie, seria melhor. E ainda, "Ben Son"?  Tricadilho estranho... 





MUSICA DE JENNIFER LOVE HEWITT PARA O FILME




MUSICA QUE TOCA NA CENA QUE JULIE VE A FOTO DA SUA AMIGA HELEN SHIVERS














21 de julho de 2016

CAÇA-FANTASMAS


NOTA: 9,0

Lançado em 1984, Os Caça Fantasmas foi um enorme sucesso, se tornou um clássico do gênero e ganhou fãs pelo mundo todo. O filme mostrava quatro homens, interpretados pelos atores Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson e o falecido Harold Ramis, que criaram uma empresa que caçava fantasmas na cidade de Nova York; no elenco ainda estavam Sigourney Weaver e Rick Moranis. Quando foi anunciado uma refilmagem do primeiro filme, os fãs já tinham ficado com um pé atrás, e a situação piorou quando foi revelado que os atores originais seriam substituídos por quatro mulheres: o primeiro trailer no youtube teve um índice de rejeição histórico, e o filme foi alvo de boicote porque não aceitaram os personagens principais serem substituídos por um elenco feminino. Com toda essa polêmica, o diretor Paul Feige (As Bem Armadas, Missão Madrinha de Casamento, A Espiã Que Sabia de Menos) lançou Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016), que recebeu críticas positivas, com uma nova repaginada e uma pergunta: será que toda essa rejeição pelos fãs, foi necessária? Não, não foi. E no fim, ficou até melhor do que o original. Melissa McKarty, Kristen Wigg, Leslie Jones e Katie McKinnon são as novas integrantes dos Caça-Fantasmas, e ainda  completam o elenco Chris Hemsworth, Neil Calsey, Charles Dance, Andy Garcia, e Elizabeth Perkins. Ainda, tem os atores do filme original, Sigourney WeaverBill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson e Annie Potts em uma participação especial. 

Erin Gilbert (Kristen Wigg) é uma professora de uma universidade em Nova York que foi demitida após descobrrirem que um livro antigo sobre assombrações escrito por ela e sua amiga de infância, Abby Yates (Melissa Mckarty) está a venda em um site. Mais tarde, ela se junta a Abby e sua amiga Holtzmann (Kate McKinnon), junto com a funcionária do metro, Patty Tollan (Leslie Jones), e formam uma empresa que caçam fantasmas, as Caça-Fantasmas. Elas descobrem que alguém está colocando dispositivos na cidade de Nova York para abrir um portal que trará todos os espíritos ao nosso mundo.


Como alguém pode dizer que um filme vai ser ruim se você ainda nem assistiu? Caça Fantasmas foi bastante injustiçado, e as criticas positivas provam isso. O filme é melhor que o original. O enredo segue a mesma linha dos eventos do primeiro filme, com a formação das caça fantasmas e a relação entre os personagens, mas a história é diferente, mais interessante e com muito humor. Não tem nenhuma ligação com o original, mas traz momentos nostálgicos e ótimas referências aos dois filmes anteriores, além de algumas homenagens e surpresas. Existem muitos termos físicos, difíceis de entender, como a função das armas e os lasers, e talvez isso atrapalhe um pouco. A temática de Caça Fantasmas é parecida aos filmes anteriores do diretor Paul Feig (A Espiã Que Sabia de Menos, Missão Madrinha de Casamento), com humor ácido, cenas histéricas e alguns palavrões, e é isso que deixa o diferente e melhor do que o original. Mas são filmes bem diferentes, já que Caça-Fantasmas não é uma comédia boba. O feminismo é totalmente abordado, mostrando mulheres fortes que não dependem de homens para ter sucesso, e que conseguem enfrentar os perigos, e as duras críticas sobre a mudança do elenco não valeram nada.



A maior confusão que o filme causou foi porque colocaram protagonistas femininas ao invés de homens. Melissa McKarty, Kristen Wigg, Leslie Jones e Katie McKinnon são os maiores acertos do filme, e provaram que podem ser até melhores que o elenco original (sem desmerecer os protagonistas do filme de 1984, que são maravilhosos e se saíram muito bem). A sintonia entre as atrizes é ótima e isso reflete na tela de uma forma agradável, divertindo e cativando o espectador com suas loucuras, a forte amizade e as piadas engraçadas. As grandes surpresas são Leslie e Katie, mais conhecidas no elenco da série americana Saturday Night Live. Ambas se destacam entre McKarty e Wigg, mais conhecidas pelo público, esbanjando carisma. Não da para dizer quais se saíram melhores, somente que juntas mostraram um excelente entrosamento, simpatia ao extremo e todo o poder feminino. Outra grande surpresa é o desastrado Kevin, interpretado pelo Chris Hemwsorth "Thor". O secretário das Caça Fantasmas é o "loiro burro", mas tem um grande carisma, e um papel muito mais importante do que parece. Ainda, o elenco principal de Os Caça Fantasmas original faz uma participação especial: Bill Murray, Dan Aykroyd e Ernie Hudson, que compõem o grupo original, a mocinha Sigourney Weaver e Annie Potts, a secretária dos caça fantasmas. São participações pequenas, mas o suficiente para deixar os fãs ainda mais nostálgicos. Infelizmente, Harold Ramis, outro integrante do grupo faleceu em 2014, mas é mencionado nos créditos em uma homenagem. 

Na parte técnica, os efeitos especiais são ótimos, e o 3D melhor ainda, ganhando um visual mais colorido, e os fantasmas chamam mais atenção. O excesso maior de efeitos está na sequência final, mas nada exagerado e apelativo, pelo contrário, se mostra mais interessante, empolgante e divertido. Veja o filme em 3D, que vale a pena. O resultado final de Caça-Fantasmas é ótimo e honra muito bem o filme original, e os machistas que julgaram o filme só porque os protagonistas seriam mulheres, se deram mal, já que o filme recebeu ótimas críticas. Ou seja, toda essa confusão não serviu para nada, apenas para relembrar que não devemos julgar um filme sem antes assisti-lo. A nova versão de Caça Fantasmas é divertida, engraçada, não ofende o filme original e tem um elenco sensacional que esbanja carisma e com um entrosamento perfeito. Caça-Fantasmas acerta em inovar com seu elenco e ao contar uma história original sem ligação com os filmes dos anos 80. E de quebra, temos ótimas referências e surpresas nostálgicas. E espera até o final porque tem uma cena pós-créditos ligada ao primeiro filme. 




















15 de julho de 2016

BATMAN vs SUPERMAN | A ORIGEM DA JUSTIÇA


NOTA: 9,5

Nos últimos quinze anos, as histórias em quadrinhos invadiram os cinemas em um número suficiente para chamar de "a era dos quadrinhos", e tem levado multidões para assisti-los. E o interessante disso tudo são as ligações entre os filmes de super heróis, onde todos interagem entre si em algum filme: Os Vingadores, Guerra Civil e Batman vs  Superman - A Origem da Justiça (Batman vs Superman: Dawn Of Justice, 2016). A Marvel e a DC são as maiores HQ's e existe uma grande rivalidade entre elas, criada, principalmente, pelos fãs. Particularmente, prefiro os super-heróis da DC, apesar do meu herói preferido ser da Marvel, o Homem Aranha. Os dois universos são bem diferentes, e seria injustiça compará-los, mas muitos adoram uma comparação, e para ajudar, no mesmo ano de A Origem da Justiça, aconteceu estreia Capitão América: Guerra Civil, que também apresenta uma luta entre super-heróis. Batman vs Superman foi lançado nos cinemas, recebeu críticas negativas, e teve recentemente uma versão Ultimate lançada com meia hora a mais, totalizando pouco mais de 3h de duração. Com o lançamento dessa versão, os fãs viram que exageraram nas críticas e pediram até desculpas para o diretor Zack Snyder, e culparam a Warner pela versão do cinema. Acabei assistindo primeiro Guerra Civil, e agora que vi A Origem da Justiça, posso dizer que ambos são ótimos e ambos são, cinematograficamente falando, brilhantes. Dirigido por Zack Snyder, no elenco estão Ben Affleck, Henri Cavill, Jesse Eisenbergh, Gal Gadot, Diane Lane, Amy Adams, Jeremy Irons, Holly Hunter e Laurence Fishburne

Bruce Wayne/Batman (Ben Affleck) assiste a desastrosa luta de Superman (Henry Cavill) contra Zod (eventos de O Homem de Aço, de 2013), resultando em graves destruições na cidade de Metropolis, deixando vários feridos e mortos. Outros eventos surgem, e fazem com que todos comecem a odiar o Homem de Aço, aumentando a ira de Batman. Lex Luthor (Jesse Eisenberg) consegue fazer os dois heróis lutarem entre si, resultando em uma intensa batalha entre Deus e o Homem. 

A DC Comics e a Marvel são HQ's bem diferentes, e no cinema é bem visível. Os filmes da Marvel são mais animados, repletos de piadas, humor, cenas absurdamente grandiosas com intensas lutas repletas de efeitos especiais. Os filmes da DC são mais sérios, sem grandiosas batalhas, e tem um clima mais sombrio e "sem esperanças". Talvez esse seja um dos motivos do porquê os filmes da Marvel fazem mais sucesso. E com o lançamento de A Origem da Justiça e Guerra Civil, fica mais claro essa diferença entre as duas empresas. Batman vs Superman tem mais diálogos, suspense e tensão, com poucas cenas de ação, sendo a única grandiosa a da cena final. Por isso, a ação demora para acontecer porque tem um desenvolvimento melhor, até porque, a DC não teve tanto tempo para se preparar para essa batalha como teve a Marvel: os motivos da Guerra Civil já estavam preparados, e bastava somente desenvolve-los na trama,  já em A Origem da Justiça, apesar de contar com os eventos do último filme do Superman (e sua luta com Zod), os roteiristas tiveram que criar uma história mais complexa para explicar o porquê do Batman e do Super Homem lutarem um contra o outro. 


O desenvolvimento de A Origem da Justiça é ótimo, apesar de ser um pouco lento, tem uma tensão elevada (a cena em que o Superman chega no Capitólio para dar a entrevista é sensacional), prende a atenção, e logo no início percebemos quem é o injustiçado na história, fazendo o espectador torcer pelo personagem. A história é muito bem desenvolvida, não tem cenas desnecessárias e tudo se encaixa perfeitamente com os eventos que levarão a esse embate épico entre "Deus e o Homem". Essa relação é bastante trabalhada durante o filme. Além de a trama ser um pouco lenta no início, A Origem da Justiça passa muita informação, já que o roteiro faz uma grande introdução, o que pode deixar o espectador confuso. A versão Ultimate explica melhor os acontecimentos, deixando tudo mais esclarecido, e tem detalhes importantes para um desenvolvimento maior dos personagens. Os motivos dos super heróis lutarem é bem explicado em ambas as versões, mas é na do diretor que tudo fica melhor detalhado. Por isso que os fãs preferiram essa versão e criticaram a que foi lançada no cinema. 

Talvez o maior problema seja em relação aos personagens, mas nada de tão horrível. Ben Affleck é o novo Batman e Henry Cavill retorna como o Superman para o embate entre os heróis. O Batman de Affleck está mais sombrio e sem muito carisma, e o Superman de Cavill não, porém, ambos estão sérios e dispostos a lutarem pelos seus motivos. Jesse Eisenberg dá um tom psicótico ao vilão Lex Luthor, em uma atuação exagerada que não combina com o personagem. É interessante essa personalidade que os roteiristas deram a ele, e o ator faz bem o papel, mas não combinou com o personagem. Lex tem um papel muito importante para fazer os super heróis lutarem entre si. O novo Alfred é bem inferior ao de Michael Cane, que esbanjava carisma e tinha mais emoção. Jeremy Irons se limita a apenas ajudar Batman e dar alguns conselhos, sem muita simpatia. Amy Adams e sua Lois Lane, namorada do Superman, se mostra determinada em sua busca para provar a inocência de Clark, mas se limita a isso. Gal Gadot é a Mulher Maravilha, em sua primeira aparição como a personagem, que apesar de aparecer pouco na trama, tem importante papel na luta final, e é a que mais se destaca, se saindo bem como a nova heroína, que estrelará os filmes da Liga da Justiça e o filme solo da Mulher Maravilha. Dos coadjuvantes, mas não menos importantes, temos Diane Lane (Marta, mãe de Superman), que passa toda a sua apreensão com o destino de seu filho, Lawrence Fishburne (Perry White, o editor-chefe do Planeta Diário), que se limita a restringir as ideias de Clark Kent, e a veterana Holy Hunter (a senadora Finch), que passa grande parte do filme destruindo a imagem do Homem de Aço, e quando descobre a verdade, já é tarde demais. 



Batman vs Superman é uma introdução e um preparamento para os dois filmes da Liga da Justiça, e o longa mostra os outros integrantes do grupo em pequenas aparições. Além da Mulher Maravilha, e do próprio Batman e o Superman, aparece The Falsh, interpretado por Erza Miller, Aquaman, interpretado por Jason Momoa (o Conan do filme de 2011), e Ray Fisher, ator mais conhecido no teatro e que foi escalado para viver o Cyborg. Os personagens aparecem em questões de segundos, mas empolgam e já são um aperitivo para o filme da Liga da Justiça. 

Apesar de ter recebido críticas extremamente negativas e ser massacrado por vários fãs (culpa da Warner e não do diretor), Batman vs Superman foi muito injustiçado, e a versão Ultimate mostra muito bem isso. O filme de Zack Snyder tem uma trama mais sombria, com uma carga mais pesada e sem momentos alegres (a única piada é no final do filme), diferente dos filmes da Marvel, na qual muitos estão acostumados, além de ser bem desenvolvida, com vária surpresas e revelações, e mesmo com poucas cenas de ação, o filme empolga. E para os mais exigentes, a batalha final compensa bastante, e se contar com o embate entre Batman e o Superman, junto com a batalha contra o vilão Apocalipse, é quase uma hora de cenas de ação (na versão ultimate, pelo menos). Com excelentes efeitos especiais, e apesar de alguns problemas em relação aos personagens, Batman vs Superman surpreende e nos mostra uma imensa batalha épica entre os dois maiores super heróis da DC. Não seja tão exigente, e se divirta com o filme. Quando foi lançado nos cinemas, o diretor Zack Snyder foi muito criticado pelo resultado final do filme, mas com o lançamento da sua versão, a ultimate, ele mostrou que todos estavam errados. A bilheteria de Batman vs Superman foi bastante afetada pelas críticas, mas não fez tão feio assim: o filme faturou mais de U$880 milhões mundialmente, para um orçamento de U$250 milhões, mais os gastos com o marketing do filme. Especialistas diziam que o filme teria que arrecadar no mínimo U$800 milhões para se pagar. E que venha A Liga da Justiça e o filme solo da Mulher Maravilha.